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14 de março: Marielle, presente! Anderson, presente!


Data de Publicação: 14 de março de 2026


Hoje, o calendário marca oito anos de um dos dias mais sombrios da vida política na cidade do Rio de Janeiro, manchado pelo sangue de Marielle Franco e Anderson Gomes. Em 14 de março de 2018, uma execução brutal tentou silenciar não apenas uma vereadora em ascensão, mas o projeto de mundo que ela carregava em seu corpo de mulher negra, bissexual e favelada. O crime, que feriu o cerne da democracia brasileira, atravessou quase uma década de sombras, angústias e uma persistente névoa de impunidade.

 

Entretanto, o ano de 2026 trouxe, finalmente, o capítulo que a história exigia: o desfecho jurídico de uma trama que revelou as entranhas mais obscuras do poder.

 

Em fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu a sentença que o Brasil aguardava. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes, foram condenados a 76 anos e 3 meses de reclusão. O veredito não parou neles. O ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, recebeu 18 anos por obstrução de justiça — uma revelação dolorosa de que quem deveria investigar era, na verdade, sócio da barbárie. Somam-se a eles Ronald Paulo de Alves e Robson Calixto Fonseca, com penas de 56 e 9 anos, respectivamente. Este desfecho une-se às condenações de 2024 de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, os executores materiais. Ver esses nomes no banco dos réus e, agora, sentenciados, é um alento para uma nação exausta, mas é também a confirmação de um "ecossistema criminoso" onde a política, a milícia e a grilagem de terras se fundem para eliminar opositores.

 

O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ) se solidariza profundamente com os familiares, amigos e com a sociedade, reconhecendo que nenhuma sentença traz Marielle e Anderson de volta ou apaga a dor de suas ausências.

 

Marielle não foi morta apenas por seu cargo; ela foi executada porque sua presença era uma afronta ao patriarcado e ao coronelismo urbano. Ela ocupava espaços que o sistema não considerava serem para pessoas como ela. Por isso, hoje falamos em feminicídio político, termo cunhado pela jornalista e deputada Renata Souza: um crime que atinge a mulher para destruir o projeto coletivo que ela representa.

 

Contudo, a tentativa de interrupção falhou. Marielle transformou-se em semente. Sua memória floresce, por exemplo, na gestão de sua irmã, Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial. Floresce também em diversas lideranças que seguem enfrentando ameaças para defender os direitos humanos. A luta por justiça ultrapassa os tribunais; ela vive na urgência de leis que protejam mulheres parlamentares e combatam o ódio misógino que ainda circula livremente nas redes.

Celebrar o fim deste julgamento é celebrar a vitória da memória sobre o esquecimento.

 

A justiça real, no entanto, só será plena quando a política não precisar mais de mártires e quando cada corpo negro e periférico puder exercer sua potência sem medo. Marielle e Anderson continuam presentes, não como lembranças estáticas, mas como o combustível de uma utopia permanente por um Brasil verdadeiramente democrático, justo e livre de todas as formas de opressão.

 

#DescriçãoDaImagem: card com fundo de diversos textos, laço que representa o luto, fotos em preto e branco de MArielle e Anderson, logo do CRP-RJ e faixa azul com os dizeres: "8 anos sem Marielle Franco e Anderson Gomes. 14 de março..



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